Conserve

Em áreas de segurança alimentar, atividades simples como fazer compras, cozinhar, comer e jogar restos no lixo acabam passando desapercebidas. Pouca ou nenhuma atenção é dada para a forma como a comida chega nas estantes do supermercado, sem nem contar as fases de colheita, manufatura, armazenamento, transporte e varejo dos alimentos que sustentam a nossa vida.

Portanto, não é de se surpreender se dissermos que há pouca consciência sobre a quantidade de comida que é perdida e desperdiçada ao longo da cadeia de abastecimento alimentar durante as fases de produção, distribuição, consumo e despejo. Além de tudo, as implicações econômicas, sociais e ambientais dessa enorme perda e desperdício são impressionantes e continuam a crescer e representar uma ameaça real. É hora de CONSERVAR... para pessoas, para a saúde pessoal, para o planeta e para o seu bolso.

Pessoas
No mundo todo, uma a cada sete pessoas dormem com fome e mais de 20 mil pessoas morrem de fome todos os dias. De acordo com o Conselho de Defesa de Recursos Naturais, a redução de 15% da perda de alimentos já seria o suficiente para alimentar mais de 25 milhões de americanos por vez, num mundo em que uma a cada seis pessoas não pode contar com uma quantidade segura de alimentos em sua mesa. Além disso, na medida em que boa parte dos produtos serão perdidos ao longo da cadeia de abastecimento (fazendas, distribuição e varejo), precisamos ser mais inteligentes sobre a recuperação de alimentos nutritivos e vender a um custo mais baixo ou doar para pessoas desprivilegiadas. O Desafio para Zerar a Fome do Secretário Geral da ONU é uma chamada para que governos erradiquem a pobreza.   

Saúde pessoal
O aparente paradoxo para o problema da fome é que, atualmente, há mais pessoas acima do peso do que abaixo do peso. As porções estão cada vez maiores, as redes de fast-food e deliveries estão se proliferando e opções baratas e não-nutritivas, que incluem refrigerantes, estão levando a problemas sérios de saúde como a obesidade e a diabetes. Nos EUA, porções de restaurantes podem ser de 2 a 8 vezes maiores que as recomendadas pelo governo.

Projeções  da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, até 2015, aproximadamente 2.3 bilhões de pessoas estarão acima do peso e 700 milhões serão obesas. 347 milhões de pessoas terão diabetes e, dessas, mais de 80% serão de países de média ou baixa-renda. Até 2030, o número de mortes por consequência da diabetes será o dobro. Apesar da situação ser complexa, o simples planejamento e a preparação de comida caseira pode ajudar a reduzir o desperdício  de comida (e embrulhos), sem contar que a comida caseira é mais saudável.

Planeta
A conscientização sobre o desperdício de comida traz à tona a consciência do consumidor. Podemos tentar criar uma cultura de sustentabilidade. O consumo insustentável esgota recursos muito além da capacidade regenerativa da natureza e, subsequentemente, causa outros sérios impactos ambientais negativos.

O sistema global de alimentos tem uma profunda implicação sobre o meio ambiente. A produção de uma quantidade maior de alimentos do que a quantidade que é efetivamente consumida apenas aumenta essa pressão, que inclui:

  • Mais de 20% de toda a terra cultivada, 30% das florestas e 10% das pastagens estão se degradando;
  • 9% da água doce do mundo é utilizada, sendo que 70% desse total é usado pela agricultura irrigada;
  • A agricultura e a mudança do uso da terra (como o desmatamento) contribuem com cerca de 30% do total de emissões de gases de efeito estufa.
  • No mundo todo, o sistema agro-alimentício consome cerca de 30% da energia disponível;
  • A sobrepesca e o manejo falho desses recursos pesqueiros contribui para o declínio do número de peixes — cerca de 30% das populações de peixes marinhos são consideradas sobre-exploradas.

Livro de bolso

Desperdiçar comida significa desperdiçar dinheiro tanto em nível residencial, quanto comercial — cerca de 200 bilhões de dólares anuais em regiões industrializadas. De acordo com a WRAP UK, uma família britânica poderia economizar cerca de 680 libras por ano, e o setor de hospitalidade (restaurantes, bares, hoteis) poderia economizar cerca de 724 milhões de libras.

Americanos descartam o equivalente a 165 bilhões em comida perfeitamente comestível a cada ano e jogam fora o equivalente a 282 milhões em restos de peru durante as comemorações de Ação de Graças. Em média, eles jogam no lixo o equivalente a cerca de 20 libras em comida a cada mês, o que soma aproximadamente 1.560 dólares por ano para uma família de quatro pessoas — cerca de 10% do orçamento médio para alimentação, de acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Cidades como Nova Iorque coletam cerca de 3 milhões de toneladas de lixo residencial e comercial a cada ano — lixo que acaba em aterros sanitários que custam mais de 250 milhões de dólares para o país.

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