Pense

Você se considera um consumidor consciente? Você tenta conservar água quando possível, desligar as luzes quando não são necessárias, maximizar a eficiência do seu combustível quando está dirigindo e evitar fazer escolhas que levam ao desperdício? Você se orgulha de trabalhar em uma organização ou empresa responsável, almeja promover um planejamento progressivo de sua cidade ou viver em uma cidade assim? Se esse for o caso, você se surpreenderá em saber que aproximadamente metade de toda a comida que você compra ou serve é jogada fora antes mesmo de ser usada — comida que está boa demais para ser jogada fora. Mas você não está sozinho e pequenas ações podem ter um grande impacto. PENSE nisso.


Australianos jogam fora mais de 4 milhões de toneladas de comida anualmente, aproximadamente mil quilogramas por residência. Os EUA produzem 180 bilhões de quilogramas de comida a cada ano, e cerca de 50 bilhões de quilogramas são jogados fora. Hoje em dia, o dobro de comida é desperdiçada nos EUA se compararmos com os anos 70. Na União Europeia, 25% da comida é desperdiçada em algum momento da cadeia de abastecimento a cada ano.

A FAO estima que um terço da produção global de alimentos é perdido ou desperdiçado; isso significa 1.3 bilhão de toneladas a cada ano. A quantidade de comida desperdiçada pelos consumidores em países industrializados é quase equivalente ao total líquido da produção de alimentos da África Subsaariana.

Em geral, em uma base per-capita, muito mais comida é desperdiçada em regiões industrializadas do que em países em desenvolvimento. Um relatório da FAO estima que o desperdício de comida per capita por consumidores da Europa e América do Norte está entre 95-115 kg por ano, enquanto esse número na África Subsaariana e no Sul/Sudeste da Ásia é de apenas 6-11 kg por ano.

As causas da perda de comida em países de baixa-renda estão especialmente conectadas a limitações financeiras, técnicas e de gerenciamento durante a colheita, armazenamento em condições climáticas desfavoráveis, infraestrutura, acondicionamento e sistemas de marketing.

Considerando que muitos pequenos fazendeiros em países em desenvolvimento vivem às margens da insegurança alimentar, uma redução da perda de alimentos poderia imediatamente impactar suas formas de sustento.

Os sistemas de abastecimento de comida em países em desenvolvimento precisam ser fortalecidos por meio de, entre outras coisas, estimulação de pequenos fazendeiros para organizar, diversificar e aumentar a qualidade de sua produção e marketing. Investimentos em infraestrutura, transporte, processamento de alimentos e acondicionamento também são requeridos. Tanto o setor público quanto o privado tem um papel a desempenhar para alcançar esse objetivo.

As causas do desperdício de comida em países de média e alta-renda são, na maioria dos casos, relacionadas ao comportamento do consumidor e práticas de varejo, bem como à falta de coordenação entre diferentes atores do sistema. Acordos entre fazendeiros e comerciantes podem contribuir para as quantidades de culturas agrícolas que são perdidas.

Comida pode ser perdida por consequência de padrões de qualidade, que rejeitam itens que não apresentam uma forma ou aparência perfeita. A nível de consumo, um planejamento insuficiente na hora das compras e datas de expiração podem resultar em desperdício, assim como atitudes descuidadas por parte dos consumidores que podem se dar ao luxo de desperdiçar comida.

O desperdício de comida em países industrializados pode ser reduzido com a conscientização de indústrias, varejistas e consumidores. Há uma necessidade de se achar um uso benéfico para alimentos seguros que atualmente são descartados.

Enquanto isso, uma a cada sete pessoas dormem com fome e mais de 20 mil pessoas morrem de fome todos os dias.

Além da questão humanitária, o desperdício de comida também significa um desperdício de recursos naturais. Desde solo, água, insumos agrículas, até combustíveis fósseis — todos os recursos que foram investidos na produção da comida vão pelo ralo.

A decomposição dessa comida desperdiçada nos lixões também contribuem significantemente para as emissões de gases de efeito estufa, fazendo disso um aspecto de peso na mudança do clima. Nos EUA, material orgânico em lixões contribuem com cerca de 25% das emissões de carbono.

O problema é de todos nós e é transversal em todos os níveis — de produtores a consumidores, de indivíduos a chefes de Estado. Todos temos que procurar mudar o nosso comportamento para uma forma mais sustentável de consumo.

 

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